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Carros com Wi Fi

Primeiro foram os ônibus. Alguns desses veículos, apelidados de Wi-Fi Bus, passaram a oferecer conexão Wi-Fi de alta velocidade aos passageiros como um “diferencial” para atrair novos clientes, como o GOLDEN 45.809 da viação Itapemirim. Agora chegou a vez dos carros de passeio. A Chrysler, em parceria com a californiana Autonet Mobile, está equipando alguns de seus modelos com um roteador wireless cujo objetivo é levar a internet para os ocupantes do automóvel. Desta forma, durante uma viagem qualquer, as crianças poderão se distrair com jogos on-line, o co-piloto poderá visualizar as informações do trajeto, dentre outras infinitas aplicações.

O funcionamento é o mesmo do Wi-Fi Bus. Ou seja, dentro do automóvel (geralmente no porta-malas) há um wireless router que “converte” o sinal 3G das operadoras de telefonia em Wi-Fi. Desta forma, qualquer aparelho com um adaptador pertencente à família IEEE 802.11 poderá se conectar ao “mundo externo”. O wireless router da Autonet Mobile, inclusive, parece um equipamento militar. Trata-se de uma caixinha preta extremamente resistente e blindada, pois precisa sobreviver aos solavancos das estradas e estar imune às interferências, como aquelas geradas pela parte elétrica do carro.

O sistema da Autonet Mobile já entrou em operação em alguns pontos dos Estados Unidos e, segundo diversos relatos, todo o conjunto funciona bem. Mas deixa a desejar quando a banda é segmentada ou quando o usuário quer assistir a um vídeo do YouTube, por exemplo. Lá os preços variam de acordo com o consumo de dados dos clientes, assim como em alguns planos de Mobile Net existentes no Brasil. “Chique”, não? Internet, agora no seu carro!

É isso!

Filtro de RF ou de banda

Sabemos que o espectro de rádio freqüência está dividido em faixas, definidas por agências reguladoras e/ou convenções internacionais cujo objetivo é reservá-las para um determinado tipo de serviço. De acordo com a aplicação, essas faixas são divididas em freqüências menores e passam a ser chamadas de canais. No Brasil os equipamentos wireless que operam nos padrões IEEE 802.11b e/ou IEEE 802.11g, ambos em 2,4 GHz, dispõem de até 13 canais diferentes para se comunicarem. Mas praticamente todos os produtos encontrados em nosso país são produzidos nos Estados Unidos, nação cujo FCC (Federal Communications Commission) limita a utilização aos 11 primeiros canais.

Nota-se que o espaçamento das freqüências centrais das portadoras é de 5 MHz. Porém, a largura de banda de cada canal é de 22 MHz. Isto significa que aparecerão ruídos e a comunicação ficará comprometida em situações onde o intervalo de 22 MHz não é respeitado. Por exemplo: duas redes próximas operantes nos canais 1 e 3. Isto justifica o conselho encontrado em qualquer livro sobre tecnologias Wi-Fi: “em um ambiente WLAN multicelular o ideal é combinar os canais 1, 6 e 11, arranjo que levará os 22 MHz em consideração e evitará as sobreposições e interferências”.

Fato é que na prática alguns não se preocupam em construir redes de acordo com este arranjo “ótimo”, utilizando os canais 1, 6 e 11, mas optam por agregar ao conjunto um aparelho chamado Filtro de RF (Rádio Freqüência) – também conhecido por Filtro de Banda. O filtro de RF é o elemento responsável por “isolar” os sinais de um sistema, fazendo com que o conjunto opere apenas no canal definido. Ou seja, sinais de outros canais são descartados, garantindo, desta forma, boa qualidade na transmissão e recepção de dados. Por exemplo: duas redes próximas operantes nos canais 1 e 3 podem coexistir sem qualquer problema desde que ambas empreguem ao conjunto filtros de RF. Vale salientar que há vários modelos de filtros para diversos fins (indoors, outdoors e operáveis em outras freqüências, como em 5 GHz para o padrão IEEE 802.11a), mas são relativamente caros e difíceis de serem encontrados fora dos grandes centros. Abaixo um filtro de RF para uso indoor da HyperLink Technologies. Este trabalha em 2,4 GHz e escuta nos seguintes canais: 1, 3, 6, 9, 11, 13 e 14.

É isso!

IEEE 802.11h

Homologado em 1999, o padrão IEEE 802.11a opera em 5 GHz. Também não é novidade que poucos equipamentos fazem uso desta freqüência, justificando o título de “faixa despoluída” em diversos lugares do mundo. Porém, tal regra não se aplica ao continente europeu. Na Europa alguns sistemas de satélites e radares funcionam em 5 GHz e isto compromete a harmonia entre tais sistemas e o padrão IEEE 802.11a. Esta “harmonia”, inclusive, foi alvo de vários debates na edição 2003 da World Radiocommunication Conference. Durante aquele evento, cientistas e engenheiros tentaram encontrar soluções para o problema da interferência resultante da coexistência desses equipamentos. Dessas preocupações e esforços, nasceu o IEEE 802.11h.

“IEEE 802.11h should help open the 5 GHz spectrum to WLANs in the many countries that have been concerned about the interference issues posed by wireless networks in this frequency band”, disse Stuart J. Kerry, presidente do comitê IEEE 802.11.

IEEE 802.11h

A especificação 802.11h é requerida para o padrão 802.11a na Europa. Seu objetivo é incrementar o standard em questão com funções que diminuem ou até eliminam possíveis interposições. Como exemplo de função, há o TPC (Transmit Power Control). O TPC, ou simplesmente controle de potência, obriga cada equipamento a irradiar com a menor potência possível. Desta forma as ondas eletromagnéticas são “ajustadas” com o objetivo de não extrapolar os limites da rede, reduzindo, assim, qualquer ocorrência de interferência. Vale salientar que, além do exposto, o TPC ainda reduz o consumo de energia do conjunto. Outra função é a DFS (Dynamic Frequency Selection). Esta faz com que o sistema, automaticamente, escolha o canal menos “poluído” para transmitir/receber dados.

Os sistemas de radares e satélites operantes em 5 GHz agradecem!

RangeMax WNDR3300 WNR3500

Recentemente tivemos a oportunidade de “brincar” com um roteador da linha RangeMax Wireless-N da NETGEAR. Na ocasião não pudemos avaliá-lo por completo, porém nosso breve contato foi suficiente para constatarmos que se trata dum “aparelho que promete”. Dias depois, durante alguns e-mails trocados conosco, nossa amiga Adriana Guedes da RMA fez ótimas observações a respeito dos modelos WNDR3300 e WNR3500, da linha em questão. Resultado: tais eventos serviram como pilares na elaboração deste breve artigo.

NETGEAR RangeMax Wireless-N

Os modelos desta linha operam de acordo com a especificação IEEE 802.11n draft. São aparelhos pré-N, pois como sabemos o 802.11n ainda não é um standard (padrão). De qualquer forma, além da melhor cobertura de sinal, apresentam velocidades superiores (até 300 Mbps) em relação ao popular IEEE 802.11g. Os RangeMax Wireless-N também capricharam na segurança. Há modelos com softwares (*)IDS (Intrusion Detection System – Sistemas de Detecção de Intrusão), mecanismos que previnem ataques tipo DoS (Denial-of-Service), compatibilidade com WPA2-PSK e etc.

(*) para quem não tem um aparelho da linha RangeMax Wireless-N e deseja instalar um software IDS, sugerimos o Snort Wireless. Este IDS, por exemplo, funciona muito bem no Linksys WRT54GS. Basta substituir o firmware original.

WNDR3300

Além das características da linha RangeMax Wireless-N descritas acima, este modelo é Dual Band, ou seja, funciona tanto em 2,4 GHz como em 5 GHz (através do padrão IEEE 802.11a). Possui firewall duplo e permite gerenciamento remoto.

Dimensões: 223 x 153 x 31 mm
Peso: 0.5 Kg

WNR3500

Este modelo não é Dual Band. Por outro lado surpreende ao apresentar uma entrada Gigabit Ethernet. Isto significa que é possível “espetar” no aparelho um cabo com taxas de até 1024 Mbps, tornando-o ideal para jogos e video streaming. Também possui firewall duplo e faz upgrade automático do firmware. Fantástico!

Dimensões: 225.5 x 172 x 39 mm
Peso: 0.56 Kg

É isso!

Padrao IEEE 80211a 5 GHz modulacao canais

Já fizemos, em artigos anteriores, uma reflexão sobre o padrão IEEE 802.11a (aqui). Falamos que tal padrão opera na banda de 5 GHz e atinge uma velocidade máxima de 54 Mbps – mas pode trabalhar com 48, 36, 24, 18, 12, 9 ou 6 Mbps. Também dissemos que o 802.11a foi o primeiro a utilizar a técnica OFDM (Orthogonal Frequency-Division Multiplexing – Modulação de Multiplexação por Divisão de Freqüência Ortogonal) cuja informação é repetida em várias portadoras ortogonais que podem ser moduladas em BPSK, QPSK, 16 QAM ou 64 QAM.

No artigo de hoje, apresentaremos a tabela de canalização do padrão em questão. Antes disso, torna-se necessário salientar que o 802.11a possui 12 canais não sobrepostos. 8 para redes sem fios (indoor) e 4 para conexões ponto a ponto (outdoor). Tal característica soma pontos a seu favor ao compará-lo com outros padrões (802.11b ou 802.11g) que trabalham em 2,4 GHz. Afinal sistemas 2,4 GHz dispõem de apenas 3 canais que não geram sobreposições (canal 1, canal 6 e canal 11).

OBS: as sobreposições podem degradar a performance da rede de diversas formas. Desde uma lentidão no sistema até seu comprometimento total.

Abaixo a tabela de canais:

Nota-se que o espaçamento entre as portadoras é de 20 MHz. Como a largura de banda de cada portadora é de 16,6 MHz, tal esquema permite eliminar as sobreposições.

É isso!